INDÚSTRIA

Baixo carbono como vantagem competitiva

Descarbonizar a base industrial é chave para transformar vantagens comparativas em vantagens competitivas: cadeias de valor limpas, capacidade exportadora e empregos qualificados.

Alavancas

Cinco frentes de execução para acelerar a descarbonização e capturar valor competitivo.

1

Atualizar parques térmicos: substituir GLP/óleo por biomassa sustentável e biogás em caldeiras e secadores; eletrificar calor de baixa/média temperatura.

2

H₂ verde em fornos de aço, vidro e química, começando por blends e ilhas dedicadas em clusters industriais com infraestrutura compartilhada.

3

Clínquer com misturas calcárias/LC3, combustíveis alternativos, captura em chaminé onde custo‑efetivo; DRI‑EAF com H₂/biogás no aço.

4

Escalonar processamento de níquel, lítio, terras raras e alumínio com energia 100% renovável e rastreabilidade de emissões e biodiversidade.

5

Conteúdo local verde para eólica/solar e equipamentos de rede; fabricação de eletrolisadores, turbinas eólicas e componentes de baterias.

Roadmap

Ações por período e os dois KPIs centrais para a indústria.

2025~30Início da modernização industrial com foco em eficiência energética
  • Siderurgia: ampliar rotas de aço verde com carvão vegetal em AF dedicados.
  • Cimento: >20% de substituição térmica via coprocessamento de resíduos/biomassa.
  • Química & fertilizantes: início de matérias-primas verdes.
  • Indústria “verde” de bens de capital: iniciar cadeias (aerogeradores, baterias, eletrolisadores).
  • Programas de eficiência energética industrial e economia circular.
-10%
Emissões energéticas industriais
25%
Renováveis no uso térmico
2030~40Transformação tecnológica e fuel switching acelerados
  • Siderurgia: biometano substituindo GN; expansão do aço de baixa emissão.
  • Cimento: pilotos de CCS e maior uso de substitutos de clínquer (LC3, pozolanas).
  • Química & fertilizantes: aumento expressivo de biomateriais e matérias-primas verdes.
  • Integração energia–indústria para reduzir custo e puxar inovação.
-25%
Emissões energéticas industriais
50%
Renováveis no uso térmico
2040~50Avanços finais da transição energética no setor
  • Adoção generalizada de biometano, eletrificação e CCS em processos térmicos.
  • Siderurgia com hidrogênio verde e aço de emissão quase nula.
  • Cimento com captura de carbono consolidada.
  • Química & fertilizantes com >50% de matérias-primas verdes.
  • Indústria de bens de capital “verde” competitiva globalmente.
-40%
Emissões energéticas industriais
70%
Renováveis no uso térmico

Recomendações de Políticas Públicas

Medidas para acelerar a transição, integrando política energética e industrial e reduzindo riscos de investimento.

Regulação & Financiamento

  • Padrões mínimos de desempenho energético e planos de gestão por planta.
  • Linhas de crédito (BNDES/bancos regionais) para retrofit, recuperação de calor e digitalização.
  • Fundos e garantias para PMEs (first-of-a-kind, risco tecnológico).
  • Compras públicas com critérios de baixo carbono (EPD/MRV) para aço, cimento e alumínio.

Inovação & P&D

  • Programas nacionais de P&D em setores hard-to-abate (aço, cimento, química/polímeros).
  • Conteúdo local “verde” em cadeias eólica/solar e equipamentos de rede.
  • Laboratórios de teste (H₂, CCS, eletrificação de processo) e padronização técnica.
  • Chamadas públicas para tecnologias digitais (IA/controle avançado) focadas em eficiência e qualidade.

Integração Energia–Indústria

  • Planejamento conjunto de oferta/demanda elétrica para reduzir custo da eletrificação industrial.
  • Infraestrutura para clusters (energia firme renovável, logística de biometano/H₂).
  • Contratos por diferença de carbono (CfDC) e sinal econômico via mercado de carbono.
  • Rastreabilidade e economia circular com metas setoriais e incentivos fiscais.

Oportunidades para o Setor Privado

Frentes concretas para capturar valor competitivo ao longo da transição.

Planos & Eficiência

  • Planos de descarbonização por planta com metas de intensidade (energia/CO₂) e M&V.
  • Retrofit de processos e recuperação de calor (fornos, secadores, vapor).
  • Digitalização e controle avançado para yield e qualidade.

Energia & Insumos limpos

  • PPAs renováveis de longo prazo e eletrificação de baixa/média temperatura.
  • Biomassa/biogás/biometano em substituição ao GN onde viável.
  • Pilotos de H₂ para alto grau térmico e integração futura com clusters.

Mercado & Produto

  • EPD e rastreabilidade para acessar compras públicas e mercados com prêmio verde.
  • Economia circular: coprocessamento, insumos secundários e mineração urbana.
  • Parcerias em cadeias de bens de capital “verdes” (eólica, solar, rede, eletrolisadores).